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30/09/2013

São Vicente de Paulo

 

Olhar de Jesus
   
Olhar de Vicente de Paulo
 

 

São Vicente de Paulo, a partir de 1617, encarnou o olhar de Jesus Cristo em suas atitudes e realizações.


Contemplemos o olhar de Jesus através de algumas  passagens do Evangelho e olhar de São Vicente de Paulo  sobre a História de um olhar sobre o pobre.


Olhar de Jesus para o homem de mão atrofiada e disse: Estende a mão...e sua mão estava curada. (Mc 3, 5)


Repassando com o olhar os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Eis a minha mãe e os meus irmãos” (Mc 3,34)


Olhar para o jovem rico: “Uma só coisa te falta: vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.” (Mc 10,21)


Olhar de Jesus aos discípulos: “Como é difícil a quem tem riquezas entrar no Reino de Deus.” (Mc  10, 23)
Olhar  de Jesus para Zaqueu: “Desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa”.  (Lc, 19, 5)
Olhar  de Jesus para Levi (Mateus) : Segue-me. E, levantando-se , ele deixou tudo e o seguiu. (Lc 5,27-28)
Olhar de Jesus Paixão, após a negação: “e no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo. Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro…” (Lc 22, 61).


Olhar sobre a viúva de Naim: “Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores!” (Lc 7, 13)


A síntese abaixo foi feita a partir do texto do Autor: Jean Morin, C.M. Sobre a história de um olhar sobre o pobre.


Nas conferências e escritos de são Vicente, os verbos VER e OLHAR são igualmente muito empregados e às vezes de maneira muito significativa.


“O olhar sobre o pobre” parece mais tocante do que os olhares de São Vicente sobre os pobres. “A história de um olhar sobre o pobre” é a história do Padre Vicente em sua relação com os pobres.”

1. Um olhar que se forma, um olhar que se busca (1581-1617)
Esta primeira e longa etapa, certamente, foi uma das mais úteis para a acomodação do olhar de São Vicente sobre os pobres.

2. Um olhar do interior (1581-1595)
Os primeiros olhares de São Vicente sobre os pobres foram olhares sobre os seus pais, sua família, seus vizinhos, seu ambiente. Um olhar de pobre sobre os pobres.

3. Châtillon (20 – 23 de agosto de 1617)
Em 1º de agosto de 1617, Padre Vicente toma posse como pároco de Châtillon-les-Dombes (atualmente, Châtillon-sur-Charlaronne..)

4. Um olhar que se expande, um olhar universal (1618-1648…)
Um pároco do campo tendo um projeto: dar prioridade aos pobres, suscitar e animar para isto os leigos, zelar para ter sempre a frente a promoção e evangelização. Encontramos nos documentos do processo de beatificação o impressionante balanço de sua ação pastoral, durante os quase seis meses de presença na paróquia de Châtillon (XIII, 45-54).

5. Um olhar que se expande: Do encontro com um pobre à descoberta de TODOS os POBRES.
a) As “Confrarias O que se pode chamar de “reflexo vicentino” já é perceptível” São Vicente não é um especialista, nem um homem de instituição. Ele aceita espontaneamente a realidade do pobre tal como ela é, qualquer que seja. Modifica o plano, o projeto e as estruturas para adaptá-los continuamente à realidade do pobre e aos seus apelos circunstanciais.

b) A Congregação da Missão.
Fundada por São Vicente em 17 de abril de 1625. O processo é exatamente o mesmo: trata-se, inicialmente, de uma pequena equipe de padres consagrados à evangelização da “pobre gente do campo”, vivendo e trabalhando nas terras dos Gondi: uma instituição, portanto, especializada e “localizada” (XIII, 197 - 202).

c) As Filhas da Caridade
A Companhia das Filhas da Caridade foi fundada em Novembro de 1633 por São Vicente e Santa Luísa de Marillac. Poderíamos acrescentar a estes dois nomes famosos, o de Margarida Naseau: uma pobre camponesa de Suresnes que se apresenta à São Vicente em 1630 para “servir os pobres”.
Os pobres são inumeráveis e infinitamente diferentes, porém, são nossos “mestres e senhores”; compete aos servos e servas à eles se adaptarem.

6. Um olhar universal: Da pequena paróquia de Châtillon les Dombes à Madagascar.
Do pobre idoso de Gannes e da família abandonada de Châtillon, São Vicente, atento à Providência que se manifesta nos acontecimentos, chega a sentir-se solidário e responsável praticamente por todas as misérias e injustiças de seu tempo. GEOGRAFICAMENTE o processo é o mesmo e seu campo de consciência vai se estender até atingir os limites da terra.
“Peça também, ao Senhor por mim,escreveu ao Padre Bourdoise, pois, não permanecerei mais muito tempo, por causa da minha idade, que já passa dos oitenta anos e as dores nas minhas pernas, que não querem mais me sustentar. Morreria contente, se soubesse que vós viveis …”(VIII, 156-160)

7. Um olhar que se aprofunda: Do pobre à Jesus Cristo, de Jesus Cristo ao pobre
De fato, à medida que o olhar de São Vicente se estende a todas as categorias do pobre e aos pobres do mundo inteiro… até Madagascar…este olhar sobre o pobre se aprofunda até encontrar o próprio Jesus Cristo.
“Pode-se, na verdade, dizer que FOI DEUS que fez a vossa Companhia. Ainda hoje pensei nisso e perguntava a mim mesmo: “Foste tu que pensaste em formar uma Companhia de meninas? Oh! Não. Foi então a Senhora Le Gras? Tão pouco. Posso, na verdade, dizer-vos que nunca pensei nisso …ERA DEUS e não eu” (Conf. de 22 de janeiro de 1945, pág. 141).
Para São Vicente, após a experiência de Gannes-Folleville, este texto do Evangelho afirma claramente que Jesus Cristo veio para evangelizar os pobres, libertar os cativos e oprimidos. Prioridades da “missão” de Jesus Cristo, os pobres devem ser as prioridades da Igreja de Jesus Cristo.