Mensagem do Papa à Congregação para a Educação Católica

Educação • 19/02/2017

O Papa Francisco recebeu na manhã do dia 09 de fevereiro, os participantes da plenária da Congregação para a Educação Católica. Dirigindo-lhes uma mensagem, relembrou o importante papel desempenhado pelas universidades e escolas católicas e, no horizonte da evangelização, partilhou com eles três expectativas que precisam ser consideradas pela educação católica: a) humanizar a educação, frente o individualismo reinante, e como serviço à formação integral da pessoa; b) promover uma cultura do diálogo, como "forma para o encontro e a valorização das diversidades culturais e religiosas" e pelo ensino de "um método de diálogo intelectual finalizado à busca da verdade"; e c) semear esperança, ação na qual cada educador/a assume uma tarefa de paternidade e maternidade na transmissão de uma vida capaz de futuro".

Confira a íntegra do discurso do Papa Francisco:

Estimados irmãos e irmãs!

Agradeço ao cardeal prefeito as palavras de introdução deste encontro e saúdo cordialmente os membros da Congregação para a educação católica nomeados recentemente, entre os quais inclusive o próprio Prefeito, que pela primeira vez preside à Assembleia plenária. Saúdo os componentes da Fundação Gravissimum educationis, constituída há pouco com a finalidade de relançar os conteúdos da Declaração conciliar.

Nestes dias tivestes em consideração muito temas, para fazer um balanço do trabalho do Dicastério nos últimos três anos e traçar as orientações dos compromissos futuros.

Os setores do vasto âmbito educativo que são de competência da vossa Congregação comprometeram-vos na reflexão e no debate sobre diversos aspetos importantes como a formação inicial e permanente dos professores e dos diretores, tendo em consideração também a necessidade de uma educação inclusiva e informal; ou como o contributo insubstituível das Congregações religiosas, e o apoio que pode vir das Igrejas particulares e das Organizações de setor. Boa parte do vosso trabalho foi dedicada às instituições universitárias eclesiásticas e católicas para a atualização da Constituição apostólica Sapientia christiana; à promoção dos estudos de Direito canónico em relação à reforma dos processos de nulidade do matrimónio; e para apoiar a pastoral universitária. Além disso considerastes a oportunidade de oferecer as diretrizes a fim de incrementar a responsabilização de quantos estão envolvidos no árduo campo da educação.

Como evoquei na Exortação Evangelii gaudium, «as universidades são um âmbito privilegiado para pensar e desenvolver este compromisso de evangelização»: e «as escolas católicas [...] constituem uma contribuição muito válida para a evangelização da cultura, mesmo em países e cidades onde uma situação adversa nos incentiva a usar a nossa criatividade para se encontrar os caminhos adequados» (n. 134).

Neste horizonte de evangelização gostaria de partilhar convosco algumas expectativas. Antes de tudo, diante de um individualismo infestante, que nos torna humanamente pobres e culturalmente estéreis, é necessário humanizar a educação. A escola e a universidade só têm pleno sentido em relação à formação da pessoa. Todos os educadores são chamados a colaborar neste processo de crescimento humano com o seu profissionalismo e com a riqueza de humanidade da qual são portadores, a fim de ajudar os jovens a tornarem-se construtores de um mundo mais solidário e pacífico. Ainda mais as instituições educativas católicas que têm a missão de oferecer horizontes abertos à transcendência. A Gravissimum educationis recorda que a educação está ao serviço de um humanismo integral e que a Igreja, como mãe educadora, olha sempre para as novas gerações na perspetiva da «formação da pessoa humana em ordem ao seu fim último e, ao mesmo tempo, ao bem das sociedades de que o homem é membro e em cujas responsabilidades, uma vez adulto, tomará parte» (n. 1).

Outra expectativa é que cresça a cultura do diálogo. O nosso mundo tornou-se uma aldeia global com múltiplos processos de interação, onde cada pessoa pertence à humanidade e partilha a esperança de um futuro melhor com a inteira família dos povos. Infelizmente, ao mesmo tempo, há muitas formas de violência, pobreza, exploração, discriminação, marginalização, abordagens restritivas às liberdades fundamentais que criam uma cultura do descarte. Em tal contexto os institutos educativos católicos são chamados em primeira linha a praticar a gramática do diálogo que forma para o encontro e a valorização das diversidades culturais e religiosas. De facto, o diálogo educa quando a pessoa se relaciona com respeito, estima, sinceridade de escuta e se exprime com autenticidade, sem ofuscar nem atenuar a própria identidade nutrida pela inspiração evangélica. Encoraja-nos a convicção de que as novas gerações, educadas de maneira cristã no diálogo, sairão das classes das escolas e das universidades motivadas a construir pontes e, por conseguinte, a encontrar respostas novas para os muitos desafios do nosso tempo. No sentido mais específico, as escolas e as universidades são chamadas a ensinar um método de diálogo intelectual finalizado à busca da verdade. S. Tomás foi e é ainda hoje mestre deste método, que consiste em tomar o outro seriamente em consideração, o interlocutor, procurando compreender profundamente as suas razões e objeções, para poder responder de modo não superficial mas adequado. Só assim podemos deveras ir em frente juntos no conhecimento da verdade.

A última expectativa que gostaria de partilhar convosco: o contributo da educação para semear esperança. O homem não pode viver sem esperança e a educação é geradora de esperança. Com efeito, a educação é fazer nascer, é fazer crescer, coloca-se na dinâmica do dar a vida. E a vida que nasce é a fonte mais borbulhante de esperança: uma vida orientada para a busca da beleza, da bondade, da verdade e da comunhão com os outros em vista de um crescimento comum. Estou convicto de que os jovens de hoje têm sobretudo necessidade desta vida que constrói futuro. Portanto, o verdadeiro educador é como um pai e uma mãe que transmite uma vida capaz de futuro. Para se obter este temperamento é preciso que nos coloquemos à escuta dos jovens: o «trabalho dos ouvidos». Pôr-se à escuta dos jovens! Faremos isto em particular com o próximo Sínodo dos Bispos a eles dedicado. Depois, a educação tem em comum com a esperança o mesmo «tecido» do risco. A esperança não é um otimismo superficial, nem a capacidade de olhar para as situações de modo benévolo, mas antes de tudo é um saber arriscar de maneira certa, exatamente como a educação.

Queridos irmãos e irmãs, as escolas e as universidades católicas dão uma grande contribuição para a missão da Igreja, quando estão ao serviço do crescimento em humanidade, no diálogo e na esperança. Agradeço-vos o trabalho que desempenhais para fazer das instituições educativas lugares e experiências de evangelização. Invoco sobre vós o Espírito Santo, a intercessão de Maria Sedes Sapientiae, para que torne eficaz o vosso ministério a favor da educação. E peço-vos, por favor, que rezeis por mim, e de coração abençoo-vos. Obrigado!

Fonte: Santa Sé

(Disponível em: <http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2017/february/documents/papa-francesco_20170209_plenaria-educazione-cattolica.html>. Acesso em: 19 jan. 2017).